Maldita morte, até sempre Chico António!
Nos desdobramentos do crepúsculo, a melodia de Moçambique chora a perda inestimável de Chico António no dia 13 de Janeiro, cuja voz singular transcendeu a esfera musical, tornando-se uma sinfonia eloquente e erudita. Dotado de um vocabulário luxuriante, Chico entrelaçou palavras como fios preciosos, criando uma linguagem resplandecente em cada nota da sua música magistral, especialmente na magnum opus “Baila Maria”, “Antlissa Maria”, “Mercandonga”, entre outras músicas de sua autoria. Sua narrativa existencial é um enigma intrincado, uma trama que desvela a vicissitude de um artista que, em meio às encruzilhadas de Maputo, antiga Lourenço Marques, perdeu-se ainda menor em idade e viveu de sacrifício de um para o outro lado e não apenas geograficamente, mas nas dobras do desconhecido, ignorando o paradeiro de sua linhagem sanguínea. Somente a terra de Magude era o farol a guiar suas raízes esquecidas. Neste lamento, lamentamos a efemeridade da vida que não nos concedeu a oportun...