O Jornalista da TV Sucesso precisava mesmo fazer a questão daquele modo ao professor recém-graduado?

Ao longo desta semana nas redes sociais circulou em Moçambique muita informação, como por exemplo sobre os raptos disfarçados, barrulho durante a apresentação do Informe de Estado da Nação na Assembleia da República por um grupinho que trajava camisetas pretas, mas uma das coisas que mais me marcou é sem dúvida a reportagem em que um jornalista por sinal da TV Sucesso entrevista um professor recém-graduado e convidando-lhe a entoar o hino nacional a partir da segunda ou terceira estrofe. Isso me pareceu ridículo e me levou a fazer uma reflexão sobre a missão e o papel do jornalista em Moçambique. 

Numa cena digna de uma tragicomédia, o jornalista da TV Sucesso, durante uma reportagem sobre um recém-graduado no Instituto de Formação de Professores Primário, revelou uma maestria questionável em suas abordagens. O jovem professor, diante das várias perguntas, respondeu com perfeição, demonstrando seu conhecimento recém-adquirido.

Contudo, o ápice do constrangimento surgiu quando o jornalista, em um momento de desatino, convidou o professor para entoar o hino nacional, mas com um twist peculiar: a partir da penúltima estrofe. A escolha do jornalista levanta questionamentos sobre a pertinência de tal solicitação. Será que o ilustre jornalista estaria preparado a fazer neste momento o mesmo, entoar o hino de forma repentina a partir de uma determinada estrofe a nossa escolha?

Numa análise crítica, é evidente que o jornalista extrapolou sua função, transformando-se de comunicador em algo mais parecido com um juiz em um tribunal improvisado. A habilidade de entoar o hino nacional não deveria ser um critério de avaliação para um recém-graduado em formação de professores primários.

Ao invés de promover um ambiente respeitoso, o jornalista, inadvertidamente, expôs sua falta de sensibilidade ao humilhar o entrevistado e, por extensão, todos que acompanhavam a reportagem. Em entrevistas, o papel do jornalista é o de facilitador, não de antagonista, e a busca por informação deve ser conduzida com ética e respeito. É de salientar que o editor ou director da televisão não deveria ter deixado passar uma matéria que denigre a imagem dos outros em detrimento de busca de audiência. Se repararem a parte boa da entrevista não é enaltecida pelo jornalista, mas sim a parte ruim.

Este episódio serve como um lembrete de que, na busca pela notícia, a dignidade e o respeito não podem ser sacrificados em prol do espetáculo. O jornalismo deve ser uma ferramenta para a elevação do debate público, não um palco para humilhações desnecessárias.

 


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