Casais que odeiam os sogros
Há
uma tendência preocupante que se espalha silenciosamente pela sociedade
moderna, uma triste realidade que testemunhamos cada vez mais: homens e
mulheres que afirmam estar casados e amar seus parceiros, mas que mantêm uma
distância deliberada de seus familiares, evitando qualquer tipo de envolvimento
ou interação. Essas pessoas vivem em uma bolha egoísta, onde apenas eles e seus
amigos íntimos são considerados dignos de sua atenção e cuidado. No entanto,
quando a adversidade bate à porta, são os pais e irmãos que são convocados para
intervir, como heróis salvadores em tempos de necessidade.
O casamento, tradicionalmente, era considerado uma união não apenas entre duas pessoas, mas também entre suas famílias. Era uma celebração da fusão de diferentes histórias, culturas e laços de parentesco. No entanto, nos dias de hoje, vemos um crescente número de indivíduos que veem o casamento como uma oportunidade de cortar todos os laços com o passado, concentrando-se exclusivamente em si mesmos e em seus próprios interesses.
Esses
indivíduos optam por não falar ou visitar a casa dos sogros ou outros membros
da família, como se o casamento fosse uma espécie de selo de isolamento do
mundo exterior. É como se eles acreditassem que ao entrarem em um matrimônio,
adquirissem um passe livre para abandonar toda a responsabilidade em relação
aos parentes do cônjuge. A atitude egoísta e egocêntrica que permeia essas
relações é perturbadora que chegam a afirmar que em casa dos sogros ou irmãos, é
onde habita o azar e os demónios.
Não
é difícil imaginar o resultado inevitável dessa postura. Quando surgem
problemas conjugais, quando a felicidade a dois se torna uma busca vã, essas
pessoas se veem sozinhas, desamparadas e sem o apoio que tanto desejam. Então,
como num passe de mágica, lembram-se da família que deixaram de lado, daqueles
que ofereceriam um ombro amigo e conselhos sábios. É nesse momento que clamam
por intervenção, por ajuda para resolver os problemas que surgiram em seu
próprio reino isolado.
Essa
atitude revela uma falta de maturidade emocional e uma incapacidade de cultivar
relacionamentos saudáveis. O casamento não deveria significar o fim das
conexões familiares, mas sim uma oportunidade para fortalecê-las. A verdadeira
maturidade está em reconhecer que não somos ilhas isoladas, mas seres
interdependentes, que necessitam de laços de suporte emocional e relações
estáveis para enfrentar os desafios que a vida nos apresenta.
Essas
pessoas que fogem de seus deveres familiares estão contribuindo para a
deterioração do tecido social. A família é a base da sociedade e o descaso por
esse núcleo fundamental pode levar a um enfraquecimento dos laços que mantêm as
comunidades unidas. É essencial lembrar que família não é apenas uma palavra,
mas uma teia complexa de relações que nos moldam e sustentam.
Em
vez de esperar pelo dia da desgraça para buscar a ajuda dos pais e amigos,
seria mais sensato cultivar uma relação saudável com eles desde o início. A
verdadeira demonstração de amor não se limita ao círculo íntimo do casal, mas
se estende aos entes queridos ao seu redor. O verdadeiro amor deve ser
construído sobre alicerces sólidos de respeito, compromisso e conexão
comunitária.
Portanto,
é fundamental que homens e mulheres reflitam sobre suas ações e escolhas. A
vida não é uma jornada solitária, e fechar-se para o mundo não trará felicidade
duradoura. O amor verdadeiro não é egoísta, mas sim generoso e compartilhado.
Devemos abrir nossos corações e lares para a família, abraçando a diversidade e
valorizando as conexões que nos moldaram desde o início.
Que
possamos aprender a valorizar e nutrir os laços familiares, construindo
relacionamentos sólidos que sobrevivam além das dificuldades do cotidiano.
Somente assim poderemos vivenciar uma felicidade autêntica, não apenas como
casais, mas como membros integrantes de uma comunidade que se apoia mutuamente.

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