A mulher pode ter mais do que dois esposos?

 

Há pouco tempo, troucemos à tona um pensamento da célebre escritora moçambicana Paulina Chiziane sobre a possibilidade das mulheres terem a capacidade de aceitar que seus esposos tenham mais de uma mulher. Para a autora, é sensato que uma boa mulher consiga arranjar outra mulher para seu marido. Reconheço que Chiziane faz uma leitura de uma determinada época, mas isso ainda constitui um dos pontos fortes da actualidade. O facto de os homens terem mais de uma mulher, alguns fingindo que vivem a sua vida para apenas uma, mas na verdade tendo outras de forma disfarçada.

Paulina Chiziane, em um de seus escritos, chega a afirmar, por exemplo, que em tempos de frio, não ter uma amante é sinônimo de pobreza e miséria para um homem, principalmente no inverno. Agora, a grande questão é, sem dúvida, se as mulheres também podem ter mais de dois parceiros sob sua gestão. Em conversa com uma grande amiga minha, ela defendeu que sim, as mulheres têm o mesmo direito que os homens de ter mais de um parceiro.

E agora, nem sei o que dizer neste momento por que ainda não concluímos o debate sobre a poligamia e já temos um outro grande campo para cogitar, que são as pessoas que defendem a poliandria. Como filósofo, permitam-me levantar a seguinte questão: não estaremos nós a chegar naquele momento Bíblico de fins dos tempos?

Ora, discussão sobre a poligamia e a poliandria é um assunto complexo que desafia as normas tradicionais e levanta questões sobre igualdade de gênero, liberdade individual e modelos de relacionamento. Enquanto a poligamia, que é a prática de ter mais de um cônjuge, geralmente se refere a homens que têm múltiplas esposas, a poliandria é a prática oposta, onde uma mulher tem múltiplos maridos.

Historicamente, a poligamia tem sido mais comum em várias culturas ao redor do mundo, enquanto a poliandria tem sido uma exceção muito rara. No entanto, nos tempos modernos, com a evolução dos conceitos de igualdade de gênero e a valorização da autonomia das mulheres, algumas pessoas têm defendido que as mulheres também devem ter o direito de ter múltiplos parceiros, se assim desejarem.

A discussão sobre a poligamia e a poliandria está intrinsecamente ligada à questão da liberdade individual e do consentimento mútuo entre adultos envolvidos em um relacionamento. Se uma mulher está disposta a compartilhar seu marido com outras mulheres, e todos os envolvidos estão de acordo, então não seria justo negar a ela esse direito. Da mesma forma, se um homem está disposto a compartilhar sua esposa com outros homens e todos os envolvidos estão de acordo, também não seria justo negar a ele essa escolha.

No entanto, é importante destacar que a poligamia e a poliandria não são práticas amplamente aceitas ou legalizadas em muitos países. As estruturas legais e sociais em torno do casamento e do relacionamento ainda são baseadas principalmente no modelo monogâmico, refletindo valores e tradições arraigados ao longo do tempo. Embora a poligamia, que envolve um homem casado com múltiplas mulheres, e a poliandria, que envolve uma mulher casada com múltiplos homens, tenham existido em diferentes culturas ao redor do mundo, elas geralmente não são reconhecidas legalmente ou socialmente como formas válidas de relacionamento em muitos países.

Uma das principais razões para a prevalência da monogamia nas estruturas sociais e legais é a noção de exclusividade e compromisso entre duas pessoas. O casamento monogâmico é visto como uma instituição que promove a estabilidade emocional e familiar, além de fornecer um quadro legal claro para questões como herança, propriedade e responsabilidades parentais.

No entanto, é importante reconhecer que as perspectivas em relação ao casamento e ao relacionamento estão em constante evolução. Em alguns lugares, houve debates sobre a legalização da poligamia e da poliandria, com argumentos baseados na liberdade individual e no respeito às escolhas pessoais. Além disso, movimentos e grupos têm defendido a diversidade de relacionamentos e a aceitação de diferentes formas de amor e compromisso.

Embora as visões e opiniões sobre o casamento e a monogamia variem amplamente em todo o mundo, é crucial que qualquer mudança na legislação e na aceitação social seja feita com cautela e consideração cuidadosa. O reconhecimento de diferentes modelos de relacionamento deve equilibrar a autonomia individual com o bem-estar coletivo e o respeito pelos direitos e necessidades de todos os envolvidos.

Em última análise, a aceitação ou não da poligamia e da poliandria como práticas legítimas e amplamente aceitas dependerá da evolução das normas sociais, dos valores culturais e das leis em cada país. O diálogo aberto e a compreensão mútua são fundamentais para avançar em direção a uma sociedade mais inclusiva, onde diferentes formas de relacionamento possam ser reconhecidas e respeitadas, desde que estejam baseadas no consentimento, na igualdade e no respeito mútuo entre os parceiros.

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