As filhas da Eva e o Male Ya Pepa - ALBATH DA CRUZ
Ainda bem que nos encontramos no mês da mulher moçambicana! Ainda bem que nem todas as mulheres resumem sua vida ao dinheiro, apesar de ouvir-se por ali que mulher que é mulher gosta do dinheiro. É bem provável que seja desta vez que vou angariar muitas inimigas, por dizer mais uma vez alguns fragmentos de verdade clara e evidentemente, como Descartes defende na sua cogitação sobre a Dúvida Metodica!

Espero, sinceramente, que minhas amigas não se zanguem
comigo, principalmente as fanáticas e apaixonadas pelos meus escritos; aquelas
que seguem e partilham quase os meus rabiscos frutos de uma leitura crítica do
meu quotidiano.
Eugénio Mucavel,
ícone da música moçambicana,
cantou no passado “Male ya pepa”, que se traduz em “dinheiro de papel”. Ora, são poucas as
pessoas que não se chateiam quando alguém diz algo sobre elas, sobretudo,
quando se trata do verdadeiro que coloca à luz o que mais escuro existe no seu
mundo. Um número considerável de pessoas só quer ouvir coisas boas e agradáveis a
seu respeito, tal como vimos, por exemplo, no actual julgamento das famosas dívidas
ocultas no qual muitos réus e alguns advogados de defesa emocionavam-se quando
entendiam que algo beliscava sua honra, chegando a tirar a sua propria
dignidade, por perceberem que a verdade pairava na tenda do julgamento e
sentiam que não havia espaço para manobras e falsas declarações .
Diziam em vida os meus avós Taimane e Munukwa que “aquele
que diz a um amigo que a sua boca tem mau hálito, é na verdade um bom
companheiro para os vários momentos da vida”,porque, fala palavras que podem
ajudar o outro a melhorar em sua vida rumo ao bem-estar.
Sei que Judas Iscariotes, um dos discípulos de Jesus
Cristo o entregou a morte por causa de gostar de dinheiro. Mas, hoje o exemplo é
feminino. Existem mulheres que adoram o dinheiro mais do que tudo e todos, por
isso, simpatizam com músicas que defendem a ideia de que o homem deve oferecer-lhes
dinheiro, como vimos um tal cantor que se tornou repentinamente famoso, por
causa de uma música intitulada “O culpado é o namorado dela”.
Hoje são incontáveis os casais e relações conjugais que
se destroem por causa do dinheiro. Alguns casais por possuírem tanto e outros pela
falta de dinheiro. Assim sendo, vive-se um dilema! Uma vida inteira recheada de mentiras
onde as pessoas são amadas e respeitadas ou desrespeitadas por causa dos bens
materiais que possuem. Algumas amizades e laços de familiaridade se destroem
por causa do dinheiro. Outros chegam a não se falar por causa do dinheiro.
Todos procuram a todo o custo ter dinheiro no bolso, mas
as mulheres aparentam ter uma inclinação mais aguçada para o efeito, chegando a
perder ou vender a sua própria dignidade por causa do dinheiro. Tudo o fazem em
nome de um bem-estar momentâneo. Não nego
que existam algumas mulheres ponderadas quando se fala de dinheiro. Mas, cá
entre nós, o que acontece é que muitas delas só por serem cortejadas por um homem, fazem-no acreditar que
este já esta a dever algum dinheiro.
Ora vejamos algumas situações caricatas:
Dizer “oi” a uma mulher pode levá-la a imaginar como deve
ser seu bolso. Dizer a uma mulher pode levá-la a uma um engenhoso plano arquitectónico
para te pedir dinheiro. Uma simples amizade com mulher a pode induzi-la a imaginar
quanto lhe vais dar. Convidar uma mulher para um jantar pode conduzi-la a
idealizar a quantidade de notas a receber de sobremesa. Pedir uma mulher em
namoro pode fazê-la pensar em uma mesada. Já o casamento a pode levar a pensar
em uma herança quando o Senhor chamar ao seu parceiro para a sua morada onde
não mais verá a luz do sol, como diz o salmista no livro sagrado. E o filho a
faz pensar na grandeza da pensão alimentícia.
Contudo percebe-se que o outro nome que daríamos a essas mulheres
é sem dúvida, o de “Dinheiro”, porque os designações como “Mãe”, “Gata” ou “Princesa”
já não servem para esta era (...) Há tanta mulher interesseira e
materialista entre as filhas da Eva.
Gostam, pensam, amam e procuram sempre o dinheiro, razão
pela qual fazem sempre aquela pergunta chata: “o que vou ganhar com isso”? Outras
ainda sonham com aquela maxima “dinheiro não mão e calcinha no chão”!
Estão mais preocupadas em ganhar dinheiro e mais nada. E
diga-se: dinheiro tão pouco suado. O resto não interessa, nem se quer os
principios éticos e
morais. Basta ganhar e ter dinheiro no bolso, nada mais importa. A dignidade foi
colocada um price tag.
Que a nossa sociedade se esforce mais em produzir riqueza
baseada nos bons princípios éticos e sociais e não dinheiro desonesto, porque,
a verdadeira riqueza é aquele que não se compra e não tem preço.
Que sejamos mais humanos e que essas mulheres da nossa pátria
amada lutem pela sua independência económica, a partir do amor ao trabalho, o respeito,
a humildade,o sacrifício e desejo de apreender formas dignas de
ganhar dinheiro justo e honesto.
É triste, mas temos que admitir que algumas manas sem vergonha, depois de lerem
esta crónica mesmo com as críticas e chamadas de atenção aqui feitas, vão continuar a adorar e a deusificar o dinheiro.
Espero que todos os homens e mulheres possam partilhar
este texto (inspirado em trechos cómicos do tipo “Elogio da Loucura” e “Bestiário”).
Que toda a sociedade em geral e em particular a feminina, possa mudar de
mentalidade quando se fala de dinheiro.
Assim seja.
Comentários
Enviar um comentário
Deixe aqui a sua opinião...