Repensar Samora Machel 35 anos depois - Por ALBATH DA CRUZ

 Fiquei todo o mês de Outubro pensando no que escrever sobre a passagem de mais um ano sem poder ver, pegar, sentir e ouvir a voz de Samora Machel Primeiro Presidente de Moçambique. Esta figura é daquelas raríssimas como o “ouro puro de Ofir”, me perdoem os Cristãos por roubar a sua terminologia, digo isto, por causa da tamanha ilustração na governação. Eis então a razão pela qual a maior parte dos líderes políticos e sociais olha para Machel como um ídolo e líder a ser seguido, pois, seus ensinamentos perduram na eternidade.

Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente

Hoje esbarramo-nos transportes públicos e, até mesmo, privados com expressões tais como “Samora Vive” ou “a luta continua”. Mais ainda, em várias manifestações músicas ou intervenções sociais e partilhas nas redes sociais, a imagem de Machel e suas brilhantes realizações está associada a ele enquanto Ícone da Primeira República, na esteira do pensamento de Ngoenha (Filósofo Moçambicano).

Ora, o que me deixou pensativo durante o findo mês de Outubro, tempo em que não ganhava a inspiração para escrever sobre o primeiro presidente de Moçambique Independente, é o facto de este ter sido um homem colossal, quer pelas suas realizações no espaço político-público, quer no âmbito privado através de uma coerência e simbiose entre o discurso e a prática, o seu modo viver. Foi um homem cuja nostalgia nos convida a evocá-lo como de acções e práticas incomparáveis, ímpares e originais, que merecem ser imitadas. 

Sinto-me pequeno demais para pensar sobre a figura das figuras de Moçambique. Samora é uma figura do passado, que pensou no passado, mas, hoje é vivamente insigne tudo quanto condenara, defendera e ou denunciara, razão para dizer Samora vive e reina em nosso consciente inconsciente.

Sua novidade e memória sempre presentes, são um convite velho, mas sempre novo para (re) cogitar o ideal sobre a construção do homem novo e de uma sociedade justa, que paute pela igualdade de oportunidade. O homem nos ensinou ainda mais a viver na transferência, era contra todos os saqueadores de bens em nome do povo, não tolerava nada o sofrimento da sua sociedade. 

Este não perdoaria nem tão pouco, as constantes derrotas da selecção nacional os "Mambas", muito menos, teria criado pré-condições para assistirmos o julgamento da nossa história como nação numa pequena tenda como a da BO, pois, as mesmas demonstram que a nossa Moçambicanidade tornou-se apanágio de um determinado grupo. Machel sempre teve a consciência necessária para dar ao povo o que é do povo e não o seu antónimo, ou seja, retirar do povo tudo aquilo que é seu. Nos ensinou Samora Machel a cultivar princípios importantíssimos para a edificação de uma nação una e promotora dos direitos humanos e dignidade da pessoa humana. 

Há 35 anos tombava o avião no qual seguia um dos amados filhos desta nação e mais 34 membros de sua delegação. Seguindo a lógica, 35 vidas sofreram e o acidente é coroado de 35 anos de desconhecimento e busca pela verdade. Que ilações podemos colher deste mistério gémeo o 35/35 que assombra a nossa nação?

A busca pela verdade nos convida a incutir nos mais novos ou as gerações vindouras valores dados a saber por Samora Machel, como é o caso da transparência, da solidariedade, do amor ao próximo, da honestidade, pois, estes poderão nos ajudar a vivermos em harmonia e civismo a nossa cidadania, rumo a promoção do desenvolvimento integral da nação e a promoção da paz efectiva. 

Somos todos intimados a preservar o seu legado para que Samora permaneça para sempre. A célebre frase de Marcelino dos Santos “como iremos chorar pela sua morte, se não sabemos chorar a morte de um Marechal filho de Moçambique”, demonstra a grandeza deste homem que vive em cada um de nós, cuja memória contagia aqueles que sequer o conheceram tal como Eu mesmo. 

Machel, mais do que ídolo, símbolo, primeiro presidente de Moçambique, é uma enciclopédia de consulta e guião para a construção de um Moçambique melhor, onde os inimigos da pátria devem ser racionalmente disciplinados para assegurar um desenvolvimento integral e endógeno da nação.

Comentários

  1. Uma figura que nos leva a delirar no sentido futurista... Não há como não chorar o papa Samora quando o objectivo é cogitar um Moçambique diferente do actual

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