“Porta-voz do Demónio” nos grupos de WhatsApp - Albath da Cruz

 


Tem sido habitual, no mês da juventude, ou seja, em Agosto, eu trazer para a juventude em particular e para a sociedade no seu todo, temas polémicos e que chamam atenção a todos nós! Espero sinceramente que ninguém se sinta ofendido. Sei que muitos não gostam de ouvir verdades.

São como os fariseus, que se fizeram inimigos de Jesus Cristo por Ele ser a Verdade e a Vida. Assim sendo, gostam de viver num mundo aparente onde as coisas se parecem com o real.

A Filosofia de Platão na antiguidade grega que, também inspirou a Santo Agostinho de Hipona no medievo, já denunciava o gosto pelo aparente como catastrófico e evocava, por isso, a necessidade de se reflectir sobre a realidade tendo como referência o mundo perfeito, pois, tudo quanto existe na terra é uma simples cópia do perfeito que só pode ser contemplado com a recta rezão.

Actualmente vive-se de coisas bastante tristes no que tange ao bom uso das tecnologias de informação e comunicação social, principalmente os avanços protagonizados pelas redes socias.

É que muitos fazem circular diversa informação de um grupo para o outro, sem antes censurá-la. Tudo quanto se ouve é para ser partilhado, espalhado até aos confins da terra, ainda que seja desorientador e destruidor da sociedade. O que vale é sem dúvida ser o primeiro a partilhar!

Alegra-me o facto de trazer ao alto uma reflexão deste género, no mês em que se comemora o dia da juventude no dia 12 de Agosto. Como é do nosso conhecimento, a maioria dos jovens é que mais venera e adora partilhar informações "só por partilhar". Ainda que tal matéria não constitua uma verdade e seja incoerente, o mais importante é, como dizia antes, partilhar só por partilhar para simplesmente aparecer.

É a esta doença que chamo de “porta-voz do demónio”, que está a alcançar contornos alarmantes em nossas comunidades, porque, parece cada vez mais evidente que as coisas boas e construtivas não merecem nenhuma atenção!

A partilha de coisas pouco construtivas é daquelas que muitas das vezes maior atenção recebe e, geralmente acontece a uma velocidade da luz.

Somos diariamente bombardeados e aterrorizados por inverdades e talvez verdades sobre políticos, governantes, líderes religiosos, entre outras figuras públicas. Até porque, só para citar um exemplo paradigmático, em nosso meio parece que não se respeita a figura do Chefe do Estado e outras. Inventa-se cada tipo de coisa sobre eles, criam os tais “memes”, tudo para obscurecer seu brilhante trabalho e/ou denegrir suas imagens.

Existem viciados em redes sociais que chegam a criar grupos impróprios para uma boa conduta social, tais como de orgias e de prostituição, grupos de consumo de álcool e drogas, entre outros. Grupo de terroristas, de fofoqueiros, de amantíssimo, de feiticeiros e tantos outros que em nada contribuem para a construção de um “homem novo” defendido pelo saudoso papa Samora Machel, que tanto lutou pelo desenvolvimento de Moçambique.

Outrossim, alguns jornalistas se parecem com porta-vozes do demónio, ao emitir informações não aprofundadas.

Há jornalistas cujo trabalho é uma lástima. Nos dão verdades ditas nos cantos sem sequer ouvir o contraditório. O que lhes interessa é informar (des) informando, ou seja, seu objectivo é aparecer criando uma maior visibilidade, mas quando em algum momento isto pode significar denegrir a imagem de outrem. Razão para dizer que, se calhar alguns deles ficam em bares e tascas para escrever tais matérias jornalísticas ou até a idealizar e montar inverdades sobre suas vítimas, para depois terem dividendos.

Não obstante a isto, reconheço a existência de alguns jornalistas e internautas idóneos, que seleccionam e organizam as informações antes de colocá-las para o consumo público.

Por isso, é preciso evitar ao máximo aceitar e tomar cuidado sempre que alguém o enviar mensagens com seguintes dizeres: mande-me uma foto nude! Caros jovens, urge criarmos uma nova geração que saiba fazer o bom uso das tecnologias de informação e comunicação.

Pautemos pela cultura de partilha de informações verdadeiras e construtivas. Partilhar e fazer circular informação que salvaguarda e valoriza os princípios morais e éticos do nosso meio social.

Vive-se num mundo conflituoso, onde muitas pessoas são expostas sem caridade, nem piedade e nem dó na mídia e nas redes sociais por pessoas de má-fé, com a finalidade de que o tal meio de comunicação produza dinheiro. Cuidado com o dinheiro, Judas entregou aos assassinos o Filho de Deus por causa de moedas.

Nunca e nunca mesmo devemos ser como aqueles que em nenhum momento vêem e desejam o bem aos outros, àqueles que não conseguem enxergar nada de bom nas outras pessoas. São os que a Sagrada Escritura atesta: “tem olhos mas não vêem”, “tem ouvidos e não ouvem”, “tem boca e não falam”, mas sim falam o que nada vale para edificação de um Moçambique cada vez mais unido, na paz e desenvolvimento. Termino dizendo do Latim, Quid Scriptum est, mesmo que dizer aquilo que se escreveu, está escrito.

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